

Transpiração
Na tessitura destes versos,
nas entrelinhas desta trama sozinho um poeta declama o seu tempo singular!!! A sina de reencarnar neste planeta à tempo de presenciar a grande transformação!!! À tempo de testemunhar a queda dos muros, a elevação dos mares, os tremores de terra, os rumores de guerra, à tempo de ver caírem os últimos véus que obscureciam a límpida visão do paraíso! No dia do Juízo não temos onde nos esconder, não temos como não ver o abominável da desolação!!! Em tempo real vemos o homem perdido em suas próprias maquinações, em seus inventos e perversões à semear a destruição! E um poeta não tem o que contemplar senão a hecatombe cotidiana, o horror e a ignorância desta prolongada infância, desta insipiência espiritual! O Armagedom, a batalha entre o bem e o mal, a Revelação de nossos segredos mais escondidos, transmitidos ao vivo e à cores na tela fria dos televisores! Então nesta hora sombria... quem entende poesia? Quem não congelou seu coração? Somente quem descobriu à tempo o seu tesouro oculto, o Reino Interior, onde o céu é sempre azul, onde tudo é alegria, onde mesmo caminhando entre escombros, mesmo solitário entre estranhos... transpira-se poesia!!!
Bernardo Maciel
Enviado por Bernardo Maciel em 30/08/2024
Comentários
|